Mostrando postagens com marcador Filosofia 3º ano. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Filosofia 3º ano. Mostrar todas as postagens

sábado, 29 de maio de 2010

Arthur Schopenhauer

A respeito de Schopenhauer e da sua Teoria do Conhecimento


Arthur Schopenhauer (Danzig, 22 de Fevereiro 1788 — Frankfurt, 21 de Setembro 1860) foi um filósofo bastante atípico em uma época onde o racionalismo herdado das escolas de pensamento iluministas era muito predominante na filosofia, sobretudo no sistema idealista alemão representado por Fichte, Schelling e Hegel. O fato de Schopenhauer ter sido tão diferente dos demais pensadores deve-se a razão dele ter sido um dos principais porta-vozes da irracionalidade ocidental, caminhando dessa maneira na contramão do cenário filosófico, bem como Kierkegaard que desmistificou a razão, bem como Michel de Montaigne que, ao contrário dos seus contemporâneos renascentistas, assegurou que a racionalidade não conduz à felicidade e que boa porção de nossos problemas é devido à razão. Além do mais, Schopenhauer também foi aquele que introduziu na metafísica alemã o Budismo e o pensamento hindu, do mesmo modo que também trouxe ao terreno da filosofia a importância da vontade, sendo esta uma espécie de “Deus” panteísta.
A doutrina de Schopenhauer desenvolveu-se a partir do pensamento de Platão e Immanuel Kant, como ainda da filosofia oriental (Hinduísmo, Skhismo, Jainismo, Budismo, Taoísmo, etc.), dessa influência oriental, em análise profunda, é possível deduzir que foi dela que Schopenhauer partiu para construir a parte de sua filosofia que valoriza o irracional. Mas, em especial, será em Crítica da Razão Pura - uma das mais centrais obras de Kant - que Schopenhauer vai elaborar sua epistemologia. Portanto, é inadmissível tratar do pensamento schopenhaueriano sem antes abordar a filosofia de Kant, mesmo que tal abordagem seja rápida.
Immanuel Kant é o filósofo que vai fazer uma síntese entre o racionalismo continental e a tradição empírica inglesa, elaborando assim sua epistemologia. Kant desenvolve sua teoria do conhecimento com base na leitura de David Hume, Francis Bacon, John Locke, George Berkeley, Leibniz, Descartes, et caetera. Porém, será David Hume a pedra fundamental de sua teoria epistemológica.
Segundo Hume, a base do conhecimento são as impressões e relações entre as idéias, como as associações. Esse conceito será essencial no desenvolvimento da epistemologia de Kant.
A teoria do conhecimento kantiana diz que aquilo que o sujeito apreende do mundo real pela utilização de seus sentidos é a “matéria” do conhecimento, que são os dados, as impressões do mundo externo. Sobre essa “matéria” (que para Hume seria a impressão, sendo a idéia reflexo desta) o espírito elabora a “forma” (os conceitos, as idéias, as leis, etc.). Esta forma é construída conforme as categorias a priori que servem para organizar os dados obtidos no decurso da experiência. As categorias a priori são: causalidade, quantidade, qualidade, falsidade, verdade, finalidade, particularidade e universalidade. Isso significa que o conhecimento nasce da experiência com a realidade, todavia essa experiência passa pelo um filtro antes de chegar ao intelecto. Esse filtro seria a parte da estrutura corpórea do homem que permite que ele tenha certo nível de noção da realidade: os sentidos, o sistema nervoso central, e assim por diante. Mas, uma vez que essa experiência sofre modificações e limitações de determinado filtro, a realidade que chega até o juízo não é mais a mesma. Por sua vez, o juízo ainda agrega uma forma ao produto daquilo que fora capturado outrora pela experiência sensível com o mundo. Em síntese, a realidade da essência íntima das coisas é incognoscível. Por isso para Kant o mundo é dividido em dois: o mundo da Coisa em-si (o mundo do nôumeno, isto é, a realidade que não é oferecida ao homem, que é a realidade tal como ela é) e o do fenômeno (a realidade que se mostra ao sujeito do conhecimento, mas que não corresponde fielmente à realidade da Coisa em-si). Kant diz ainda que quando a razão procura o entendimento dessa coisa em-si (nôumeno em termos kantianos), confronta-se com obstáculos intransponíveis e soluções tão-somente contraditórias, sendo assim, permanecendo um conhecimento além do alcance de nosso limitado intelecto.
No começo do mais importante livro de Schopenhauer – O Mundo como Vontade e Representação – ele afirma: “O mundo é minha representação.”. Quer dizer, o mundo é dado à percepção apenas como representação. A percepção, pois, delimita o real. Esta é a tese substancial de sua concepção filosófica - o mundo só pode ser percebido por meio de representações. Deste modo, o mundo é puro fenômeno ou representação. Estando a essência do mundo naquilo que condiciona o seu aspecto exterior, a vontade, que é a coisa em-si do mundo, sendo ela una, indizível, infinita. Logo, a essência do mundo não está propriamente nele, e sim na sua força motriz, ou seja, a vontade, que se manifesta sempre no sentido de sua plena sobrevivência e realização. Sendo a vontade a essência do mundo, a realidade não passa de pura irracionalidade. Ao contrário de Hegel que dizia ser o real racional, Schopenhauer articula que a realidade é vontade irracional. Nesse sentido, Schopenhauer também se opõe a Platão, filósofo que considerava que o verdadeiro mundo é o das idéias, o mundo inteligível, o mundo concebido racionalmente. Já em relação a Kant, Schopenhauer compartilha da mesma idéia kantiana que separa o mundo em dois. Contudo, em Schopenhauer a essência íntima das coisas pode ser capturada pela intuição, mesmo que ela esteja encoberta pela representação, pelo véu de Maia.
Arthur Schopenhauer é um filósofo que supervaloriza o conhecimento e que atribui pouquíssimo valor a racionalidade. Ainda no livro O Mundo como Vontade e Representação, Schopenhauer inicialmente faz a afirmação de que há dois tipos de conhecimento, um é o intuitivo e o outro é o racional. O conhecimento racional (também chamado de abstrato) é o dos conceitos. E é por semelhante porquê que Schopenhauer não valoriza tal natureza de conhecimento, pois para ele os conceitos são apenas representações de representações. Segundo Schopenhauer, o conceito é uma imitação em signos lingüísticos do que a intuição e o juízo entendem de outras maneiras. Por isso o conhecimento intuitivo é de onde Schopenhauer extrai o aglomerado de sua ciência.
Muitos foram os escritores influenciados por esse filósofo dono duma concepção profundamente pessimista em relação à existência, como, p.ex., Nietzsche, Franz Kafka, Tolstói, Jean-Paul Sartre, Machado de Assis, Wagner, Thomas Mann, Sigmund Freud, Ludwig Wittgenstein, Zola, Nicolai Hartmann, Bergson, Jorge Luis Borges, Jung, Proust, Augusto dos Anjos, entre outros. Como diz Thomas Mann: “Schopenhauer coloca-se entre Goethe e Nietzsche; ele realiza a passagem entre eles: mais ‘moderno’, sofredor e difícil que Goethe, mas muito mais ‘clássico’, robusto e saudável que Nietzsche.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

REVISÃO FILOSOFIA 3º ANO - parte 1

AUGUSTO COMTE E O POSITIVISMO

A Revolução Industrial no século XVIII, expressão do poder da burguesia em expansão, demonstrou a eficácia do novo saber inaugurado pela ciência moderna no século anterior. Ciência e técnica tornam-se aliadas, provocando modificações no ambiente humano jamais suspeitadas. De fato, basta lembrar que, antes do advento da máquina a vapor usava-se a energia natural (força humana, das águas, dos ventos dos animais) e, por mais que houvessem diferenças de técnicas adotadas pelos diversos povos através dos tempos, nunca houve alterações tão cruciais como as que decorreram da Revolução Industrial. A exaltação diante desse novo saber e novo poder leva à concepção do cientificismo, segundo o qual a ciência é considerada o único conhecimento possível e o método das ciências da natureza o único válido, devendo, portanto, ser estendido a todos os campos da indagação humana. Nesse clima, desenvolve-se no século XIX o pensamento positivista, que tem Augusto Comte (1798-1857) como principal representante. Augusto

Comte nasceu na França e é o iniciador do positivismo. De família modesta, Comte desenvolveu seus estudos na Escola Politécnica francesa, tendo uma formação matemática e filosófica. Além de iniciador do positivismo, Comte também é considerado o pai da sociologia. Veremos mais tarde como que a filosofia de Augusto Comte exerceu uma influência marcante na sociedade brasileira.

A LEI DOS TRÊS ESTÁGIOS

A filosofia de Comte é marcada pela famosa lei dos três estágios, que ele diz ter descoberto. Segundo o filósofo francês os nossos conhecimentos do mundo passam por três estágios históricos: o teológico (ou religioso), o metafísico e o positivo (ou científico).

No estágio teológico (ou religioso) o homem investiga o mundo apresentando os fenômenos naturais como sendo produzidos pela ação direta e contínua de agentes sobrenaturais. Ou seja, o homem explica os fenômenos através da ação dos deuses. Essa forma de conhecimento do mundo é comum as religiões, tanto as politeístas como as monoteístas. Para Comte essa é a forma mais primitiva de conhecer o mundo.

No estágio metafísico os agentes sobrenaturais (deuses) são substituídos por forças abstratas, tal como faziam os primeiros filósofos. Estes achavam que era possível identificar um elemento primordial que explicasse todos os fenômenos do mundo. Esse estágio é mais evoluído que o anterior, pois abre mão da linguagem fantasiosa e já começa a se deter à observação dos fenômenos. Contudo, essa observação é ingênua e produz afirmações contraditórias.

No estágio positivo (ou científico) o homem abandona as compreensões teológicas ou metafísicas do mundo. A preocupação do conhecimento positivo (científico) não é descobrir causas que expliquem a origem e o destino do universo. O conhecimento positivo só pretende através da observação descobrir a regularidade dos fenômenos para então prevê-los e poder agir sobre eles. Por isso Comte afirma: “Ciência, logo previsão, logo ação”.

A NEUTRALIDADE CIENTÍFICA

O positivismo julga que no estágio positivo (ou científico) o conhecimento atinge seu grau máximo porque o homem consegue ter um acesso neutro ao mundo. Ou seja, o cientista é aquele que não se deixa influenciar pelo seu contexto social, suas paixões, seu orgulho, pela política, religião ou qualquer tipo de interesse. O cientista é neutro e imparcial. Sendo que só uma neutralidade, uma ausência de interesses é que permite conhecer as coisas como elas são. Por exemplo, os positivistas entendem que, se um sociólogo é religioso e pretende estudar o convívio social de um determinado grupo, sua fé pode interferir na pesquisa e não permitir identificar como que alguns aspectos da sua religião prejudicam o convívio deste grupo. Para realizar a pesquisa com sucesso o sociólogo teria que se manter neutro, não permitindo que nenhum interesse seu interferisse na investigação. Em resumo, para o positivismo o conhecimento científico deve ser desinteressado para poder descobrir a verdade dos fatos.

HEGEL

Hegel promove a aproximação da filosofia com a História não no intuito de abordá-la através de conceitos ou concepções pré estabelecidas, mas na medida em que questiona a compreensão inerte que se tem da História em sua contemporânedade "...trata-a (a Filosofia com relação a História) como um material, não a deixa como a é, mas organiza-a segundo o pensamento, constrói a priori uma História."

Mas de que forma para Hegel esta construção deve ser pensada ?
Através do movimento do Raciocínio dialético que desenvolve-se da seguinte forma:
TESE: Afirmação geral sobre o ser.
ANTÍTESE: Constitui a negação da tese. A antítese é a primeira negação que também pode ser negada.
SÍNTESE: Constitui a negação da negação; nela se encontram a tese e antítese repensadas, no caso reformuladas.
Logicamente que o esboço exposto acima é por demais simplista, mas nos permite conferir o caráter dinâmico Histórico sugerido pelo autor da obra em análise. Percebe-se que aplicando este raciocínio aos indivíduos e produção humana, obtêm-se uma História, de certa forma, concebida em etapas, caracterizada pela superação da anterior.
As instituições humanas, bem como o homem, constituem produtos históricos do seu tempo. O texto que analisamos permite nos dizer que para o autor o motor da História é a razão humana, que determina o caminho do homem em direção a liberdade. A liberdade como a razão são historicamente postos, ou seja, liberdade é a capacidade que o homem tem de decidir.
O texto inteiro é permeado por esta dualidade que aqui podemos ver presente. Indivíduo e Mundo, Universo. Não trata-se para o autor de dados de diferentes análises, mas a complementação de uma mesma forma ou entendimento. Como admite a particularidade do indivíduo, bem como das sociedades, mas um caráter comum a todos: a busca da realização destas sociedades. Identifica a particularidade sob a forma daquilo que classifica como "paixão" que não permite a inércia dos indivíduos, na sociedade em que estão inseridos.
"Tudo o que pode ingressar no ânimo do homem e despertar o seu interesse, todo o sentimento do bem, do belo e do grande se vê solicitado: por toda a parte se concebem e perseguem fins que reconhecemos, cuja realização desejamos; por ele esperamos e tememos."
Trabalhar na produção histórica é difícil e complexo e, se de acordo com a dialética hegeliana, acrescenta-se maiores dificuldades. O raciocínio parte das determinações do ser. Como o ser se constitui e como se transforma, a partir das determinações que apresenta em sua constituição particular. O raciocínio vai recriar sua trajetória (caminho). A união da reflexão sobre o ser com a dialética do ser origina o conceito.
"O verdadeiro não reside na superfície do sensível; em tudo o que singularmente deve ser científico a razão não pode dormir, e há que se empregar a reflexão."
Esta dinâmica ou movimento da História servia como uma profunda crítica a escola clássica alemã que com a descrição dos fatos e sua ordenação cronológica faziam da História o domínio do imutável. Um fato ligado a outro fato determinado em uma espécie de linearidade temporal, aparentemente tornava a História eterna, perfeita e incapaz de ser tocada.
"...não devemos deixar-nos seduzir pelos historiadores de ofício; com efeito, pelo menos entre os historiadores alemães, inclusive os que possuem grande autoridade e se ufanam do chamado estudo das fontes, há os que fazem aquilo que censuram aos filósofos, a saber, fazem na História ficções apriorísticas ."
A violência e as profundas modificações ocasionadas pela Revolução Francesa demonstram que a História real não era tão imutável quanto pretendiam os historiadores clássicos. A queda do absolutismo teve seus desdobramentos teóricos e Hegel percebeu as profundas mudanças que estavam ocorrendo no mundo. Se de um lado a produção com a Revolução Industrial criou uma produção e um tipo de sociedade atípicas a sua contemporânedade, a Revolução Francesa apontou para as transformações sociais e políticas.
Hegel na Ciência da Lógica propôs um raciocínio filosófico novo, a dialética. A dialética utilizada na Filosofia do Direito na explicação do Estado e da Sociedade, demonstrou o movimento da História na transformação das instituições e da cultura humana. Nas determinações da Dialética a sociedade civil burguesa e o Estado constitucional ganham a perspectiva do tempo. A reflexão hegeliana acabava por identificar-se com a do novo modo de produção. Concebeu a História na dinâmica de suas sociedades, reconhecendo as particularidades de cada uma, tornando-as parte de todo um complexo.
Foi percursor e polêmico. Em seu rastro, muitos outros historiadores que mesmo na intenção de criticá-los, reconheciam a sua inovação. Foi único, e pensou a História como nenhum outro até aquele momento.
"...na História universal, o mais nobre e o mais belo é sacrificado no seu altar. A razão não pode quedar-se no facto de indivíduos singulares terem sido lesados, os fins particulares perdem-se no universal. A razão vê no nascer e no perecer a obra que brotou do trabalho universal do gênero humano, uma obra que existe efectivamente no mundo a que pertencemos."

fonte: http://www.klepsidra.net/klepsidra10/hegel.html

QUESTÕES:

01. O que Comte procura sempre são leis invariáveis, de acordo com o modelo da física e da matemática, paradigmas da ordem. Por isso, a história é pensada como uma sucessão ordenada (...), e a sociedade será pensada como uma totalidade orgânica dividida em segmentos ou classes, que se relacionam de maneira estática. (Franklin L. e Silva)
De acordo com o trecho acima, é FALSO afirmar que:

(A) A filosofia de Comte deve ser compreendida a partir do êxito das ciências exatas e naturais.
(B)) O positivismo adota o conceito de luta de classes para explicar as mudanças históricas.
(C) Ordem e progresso são noções centrais para a compreensão do positivismo.
(D) A sociologia, ciência que estuda a sociedade, deve procurar pelas leis que regem a conduta e as relações humanas.
(E) Há, no positivismo, uma crença no processo evolutivo da sociedade.

02. Sobre Augusto Comte, analise as afirmativas a seguir:

I. Foi um filósofo francês, fundador da Sociologia e do Positivismo.
II. A filosofia positiva de Comte afirma que a explicação dos fenômenos naturais, assim como sociais, provenha de um só princípio.
III. Comte instituiu uma sétima ciência, a Moral, cujo âmbito de pesquisa é a constituição psicológica do indivíduo e suas interações sociais.

É correto afirmar que:

a) I é a única correta.
b) II não está correta.
c) I está correta e III não está.
d) II e III estão corretas.
e) III é a única correta.

03. "O saber que é o nosso objeto em primeiro lugar e imediatamente, não pode ser senão aquele que é, ele próprio, saber imediato, saber do imediato ou do existente. Igualmente devemos nos comportar de modo imediato e receptivo e, portanto, não mudando nele coisa alguma com relação ao modo como se oferece e mantendo afastada da nossa apreensão a atividade de conceber." (Hegel. Fenomenologia do espírito.)

A passagem citada acima refere-se à:

A) pré-consciência, quando a consciência não iniciou sua formação.
B) certeza sensível, que desconsidera qualquer mediação.
C) percepção, pois ser receptivo e ser perceptivo são o mesmo.
D) consciência de si, pois o modo como ela se oferece não muda.

04. Em Filosofia do Direito, Hegel afirma que a liberdade

A - consiste na identidade do interesse particular (da família e da sociedade civil) com o interesse geral (do Estado).
B - consiste no reconhecimento racional pelos indivíduos do que representa o interesse universal do Estado.
C - consiste na subordinação dos indivíduos ao poder da razão.
D - só é possível pela subordinação dos indivíduos ao poder do Estado.

05. Para Hegel, em Filosofia da História,

A - a razão governa o mundo, mas a história universal não é um processo racional.
B - a razão governa a ação dos indivíduos, mas não governa sua história como história universal.
C - a razão governa o mundo, e a história universal é um processo racional.
D - a história não é um processo racional, ela se torna um processo racional apenas no Ocidente

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

É lógica!!!!!!


Ao usarmos as palavras lógico e lógica estamos participando de uma tradição de pensamento que se origina da Filosofia grega, quando a palavra logos – significando linguagem-discurso e pensamento-conhecimento – conduziu os filósofos a indagar se o logos obedecia ou não a regras, possuía ou não normas, princípios e critérios para seu uso e funcionamento. A disciplina filosófica que se ocupa com essas questões chama-se lógica.

A lógica é um dos campos da filosofia, e pode ser considerada uma disciplina introdutória para qualquer estudo filosófico. Isso acontece porque a lógica lida com raciocínios e argumentos, e raciocínios e argumentos fazem parte de qualquer reflexão filosófica, seja ela no campo da teoria do conhecimento, da ética, da filosofia política ou da estética.
Hoje em dia temos a lógica tradicional e a lógica matemática ou simbólica. A lógica tradicional é mais simples e mais acessível que a lógica matemática, mas nem por isso tem menos importância. Pelo contrário, a lógica matemática desenvolveu-se graças aos avanços da lógica tradicional. A base da lógica tradicional foi formulada pelo filósofo grego Aristóteles e foi reelaborada durante a Idade Média. Na segunda metade do século 19 a lógica teve um enorme desenvolvimento até chegar a seu estágio atual, a lógica matemática ou simbólica.
Tradicionalmente a lógica foi considerada um portal de acesso ao estudo da filosofia e das ciências.Faz sentido. Discutir e argumentar faz parte do debate sobre qualquer questão. No caso das ciências, conhecer um pouco de lógica pode ser muito valioso. As ciências foram construídas usando procedimentos lógicos e o método científico pode ser visto como lógica aplicada.

FONTE: Marilena Chauí

sábado, 28 de novembro de 2009

PROVA DE FILOSOFIA 3° ANO - GABARITADA

01. Acerca dos tipos de violência, marque a opção onde não há uma das variantes da violência:

a) violência física
b) violência natural
c) violência indireta
d) violência passiva
e) violência simbólica


02. Sobre a definição de violência, marque a opção correta:
a) a violência praticada pelo Estado, é uma violência desnecessária, já que a sociedade não precisa de sua proteção.
b) todas as sociedades apresentam as mesmas visões sobre a questão da violência.
c) a violência tenderá a aumentar nas sociedades democráticas, pois nelas não há o exercício da cidadania.
d) constitui-se violência: matar, ferir, roubar, humilhar, explorar o trabalho alheio.
e) n.d.a.


03. Para Karl Marx:
a) a violência era fruto de uma sociedade socialista desequilibrada.
b) a violência exercida pelo Estado está a serviço das classes dominantes.
c) a violência é uma rede de micropoderes que se estende por todo o corpo social.
d) a violência e a compaixão são a base de toda justiça livre.
e) a violência é fundamental para a manutenção do poder das classes baixas.

04. Podemos definir a “violência justa” de várias formas, exceto:
a) é a violência usada para defender a própria vida ou daqueles que amamos.
b) é a violência que possui a finalidade de libertação.
c) é a violência perpétua, que permite a instalação da paz.
d) é a violência que defende e garante os valores humanos.
e) n.d.a.


05. Podemos definir a violência legítima como:
a) a que é exercida pelos Power Rangers – patrulha do espaço.
b) a intervenção do Estado em inúmeros setores da vida pública.
c) o uso da violência por parte do Estado, por meio de instrumentos como a policia, as penitenciárias e a justiça.
d) a violência reconhecida e registrada.
e) as afirmativas b e c estão corretas.


06. “Os atos de violência exercidos contra pessoas mais frágeis ou dependentes, como velhos, mulheres, crianças, subordinados e pobres, são mais freqüentes do que se imagina. Alguns teóricos consideram que as pessoas como pouco poder de decisão no trabalho e na política tendem a descontar em dependentes ou subordinados, exercendo o pequeno poder. Assim, o funcionário público insatisfeito e de baixo salário se atribui de poder extraordinário diante do usuário que chega ao guichê. O subordinado, com raiva de obedecer às ordens dos superiores, maltrata a mulher e os filhos. A mãe, dominada pelo marido, exerce seu poder contra os filhos”. (Heleieth Saffioli). De acordo com o texto podemos afirmar de forma correta:


a) que a história nos mostra como é fácil parar o processo de violência depois de ter sido desencadeado.
b) que a violência é o uso da força para obrigar uma pessoa a agir de forma voluntária.
c) que o processo da violência se dá de várias formas e em vários setores da sociedade.
d) que a violência física é a única forma encontrada nas sociedades modernas.
e) n.d.a.


07. Acerca dos tipos de violência, marque a opção correta:
a) a violência física é o resultado do uso da força física para assaltar, ferir, constranger alguém.
b) a violência indireta acontece quando o ato visa um fim próximo que não é a violência em si.
c) a violência simbólica resulta da força de natureza psicológica.
d) a violência passiva ocorre toda vez que deixamos de fazer determinadas ações necessárias para salvar vidas.
e) todas as afirmativas estão corretas.


08. QUESTÃO EXTRA: Tempos destes indaguei ao Jorginho e seus amigos quanto dinheiro eles tinham economizado para a turnê de final de ano nas suas férias.
--“possuímos mais de 1000 reais” – disse-me João.
--“Não, temos abaixo de mil reais” – disse Paulo.
-- “A verdade, é que o único fato certo é que possuímos ao menos um real” – disse Tales.
Dialogando posteriormente com o Jorginho, ele me falou que apenas um de seus amigos falava a verdade.
Quem não mentia e quanto dinheiro eles tinham economizado?


Há duas soluções possíveis: 

1ª) Tales falou a verdade e eles tinham economizado exatamente 1000 reais;
2ª) Paulo falou a verdade e eles tinham economizado menos de 1 real.



“Quanto menos os homens pensam, mais eles falam” (Montesquieu)

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Tipos de violência


TIPOS DE VIOLÊNCIA


 violência física (uso da força);
 violência passiva (não realização de ações que poderia salvar outras vidas);
 violência indireta (o uso de desodorantes spray que contém CFC e, conseqüentemente afetam o meio ambiente);
 violência simbólica (a imposição dos pais sobre os filhos);
 violência branca (é a não sangrenta, a pobreza).

A SOCIEDADE VIOLENTA

 Desde a década de 1970 os índices de violência urbana vêm aumentando de forma assustadora.
 A violência caminha ao lado do status, dos problemas econômicos e educacionais e até da própria segurança pública.
 Propostas violentas (pena de morte, por exemplo) não representam uma solução eficaz para o problema da violência.

INDICADORES PARA O AUMENTO DA VIOLÊNCIA

 Aumento da pobreza;
 A propagação da violência pelos meios de comunicação de massa;
 A falta de liberdade política;
 Questões econômicas (disputas por terras, água, metais).

FONTE: texto adaptado de Temas de Filosofia de Maria Lucia Aranha e Maria Helena Martins.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Violência e Filosofia

Segundo o Dicionário Houaiss,violência é a “ação ou efeito de violentar, de empregar força física (contra alguém ou algo) ou intimidação moral contra (alguém); ato violento, crueldade, força”.

 No aspecto jurídico, o mesmo dicionário define o termo como o “constrangimento físico ou moral exercido sobre alguém, para obrigá-lo a submeter-se à vontade de outrem; coação”.

Já a Organização Mundial da Saúde (OMS) define violência como “a imposição de um grau significativo de dor e sofrimento evitáveis”.
Para todos os efeitos, guerra, fome, tortura, assassinato, preconceito, a violência se manifesta de várias maneiras.
 Na comunidade internacional de direitos humanos, a violência é compreendida como todas as violações dos direitos civis (vida, propriedade, liberdade de ir e vir, de consciência e de culto); políticos (direito a votar e a ser votado, ter participação política); sociais (habitação, saúde, educação, segurança); econômicos (emprego e salário) e culturais (direito de manter e manifestar sua própria cultura).
As formas de violência, tipificadas como violação da lei penal, como assassinato, seqüestros, roubos e outros tipos de crime contra a pessoa ou contra o patrimônio, formam um conjunto que se convencionou chamar de violência urbana, porque se manifesta principalmente no espaço das grandes cidades. Não é possível deixar de lado, no entanto, as diferentes formas de violência existentes no campo.
A violência urbana, no entanto, não compreende apenas os crimes, mas todo o efeito que provocam sobre as pessoas e as regras de convívio na cidade.
A violência urbana interfere no tecido social, prejudica a qualidade das relações sociais, corrói a qualidade de vida das pessoas. Assim, os crimes estão relacionados com as contravenções e com as incivilidades. Gangues urbanas, pixações, depredação do espaço público, o trânsito caótico, as praças malcuidadas, sujeira em período eleitoral compõem o quadro da perda da qualidade de vida. Certamente, o tráfico de drogas, talvez a ramificação mais visível do crime organizado, acentua esse quadro, sobretudo nas grandes e problemáticas periferias.



Texto adaptado do Blogpensar.blogspot.com

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

A arte como forma de pensamento - parte1

Saori - Cavaleiros do Zodiaco (representava Atenas - Deusa da Sabedoria e das Artes)
 A Arte aparece no mundo humano como forma de organização, como modo de transformar.
 A partir da intuição o artista cria símbolos da natureza e da vida humana.
 Quando apreciamos uma obra de arte, fazemo-lo por meio dos nossos sentidos; visão, audição, tato, cinestesia, olfato e paladar.
 O artista atribui significados ao mundo por meio de sua obra.
 Na obra de arte não é importante o tema, mas o tratamento que se dá ao tema em si.
 A imaginação serve de mediador entre o vivido e o pensado.
 Na experiência estética, a imaginação manifesta, ainda, o acordo entre a natureza e o sujeito.
 Para o artista, as palavras, as cores, as linhas, as formas e desenhos não são somente meios materiais de produção, são condições de pensar artístico, momento do processo de criação e parte integrante da sua expressão.
 A obra de arte pode inspirar uma outra, podemos ter um filme a partir de um livro, mas são obras diferentes.

domingo, 14 de junho de 2009

Filosofia da Moral


Caráter histórico e social da moral

A fim de garantir a sobrevivência, o ser humano age sobre a natureza transformando-a em cultura. Para que a ação coletiva seja possível, são estabelecidas regras que organizam as relações entre os indivíduos.
É de tal importância a existência do mundo moral que se torna impossível imaginar um povo sem qualquer conjunto de regras. Uma das características humanas fundamentais é a de sermos capazes de produzir proibições.
Exterior e anterior ao indivíduo, há portanto a moral constituída, que orienta seu comportamento por meio de normas. Em função da adequação ou não à norma estabelecida, o ato será considerado moral ou imoral.
O comportamento moral varia de acordo com o tempo e o lugar, conforme as exigências das condições nas quais as pessoas se organizam ao estabelecerem as formas de relacionamento e as práticas de trabalho.

Caráter pessoal da moral

Mesmo considerando o caráter histórico e social da moral, é preciso reconhecer que ela se reduz à herança dos valores recebidos pela tradição.
A moral, ao mesmo tempo que é o conjunto de regras que determina como deve ser o comportamento dos indivíduos do grupo, é também a livre e consciente aceitação das normas. Isso significa que o ato só é propriamente moral passar pelo crivo da aceitação pessoal da norma.
A vida moral se funda em uma ambigüidade fundamental, justamente a que determina o seu caráter histórico. Toda moral está situada no tempo e reflete o mundo em que nossa liberdade se acha situada. As contradições entre o velho e o novo são vividas quando as relações humanas exigem novo código de conduta.
Por isso que é difícil, para as pessoas que estão “do lado de fora”, avaliarem o que deveria ou não ter sido feito.

Caráter pessoal e social da moral

É preciso considerar os dois pólos contraditórios do pessoal e social como uma relação em que se estabeleça o tempo todo a implicação recíproca entre determinismo e liberdade, entre adaptação e desadaptação à norma, aceitação e recusa das proibições.
Quando criamos valores, não o fazemos para nós mesmos, mas como seres sociais que se relacionam com os outros. Dessa forma, essa flexibilidade não deve ser vista como defesa do relativismo em que todas as formas de conduta são aceitas indistintamente.

(FONTE: Filosofando de Maria Lucia Aranha e Maria Helena Pires)

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Ética e Moral


"Os moralistas são pessoas que coçam onde os outros têm comichão". (Mafalda)

A Filosofia Moral distingue entre ética e moral. Ética tem a ver com o "bom": é o conjunto de valores que apontam qual é a vida boa na concepção de um indivíduo ou de uma comunidade. Moral tem a ver com o "justo": é o conjunto de regras que fixam condições eqüitativas de convivência com respeito e liberdade. Éticas cada qual tem e vive de acordo com a sua; moral é o que torna possível que as diversas éticas convivam entre si sem se violarem ou se sobreporem umas às outras. Por isso mesmo, a moral prevalece sobre a ética.No terreno da ética estão as noções de felicidade, de caráter e de virtudes. As decisões de qual propósito dá sentido à minha vida, que tipo de pessoa eu sou e quero vir a ser e qual a melhor maneira de confrontar situações de medo, de excassez, de solidão, de arrependimento etc. são todas decisões éticas.No terreno da moral estão as noções de justiça, ação, intenção, responsabilidade, respeito, limites, dever e punição. A moral tem tudo a ver com a questão do exercício do direito de um até os limites que não violem os direitos do outro.As duas coisas, claro, são indispensáveis. Sem moral, a convivência é impossível. Sem ética, é infeliz e lamentável. Diz-se que quem age moralmente (por exemplo, não mentindo, não roubando, não matando etc.) faz o mínimo e não tem mérito, mas quem não age moralmente deixa de fazer o mínimo e tem culpa (por isso pode ser punido). Por outro lado, quem age eticamente (sendo generoso, corajoso, perseverante etc.) faz o máximo e tem mérito, mas quem não age eticamente apenas faz menos que o máximo e deixa de ter mérito, mas sem ter culpa (por isso não pode ser punido, mas, no máximo, lamentado).


(texto extraído do blog Filósfo Grego)

sábado, 11 de abril de 2009

EXISTENCIALISMO - 3º ANO

Ø Sartre e o existencialismo

Ä “o homem primeiramente existe, se descobre, surge no mundo; e só depois se define. O homem, tal como o concebe o existencialista, se não é definível, é porque primeiramente não é nada” (Sartre).
Ä “o homem é, não apenas como ele se concebe, mas como ele quer que seja, como ele se concebe depois da existência, como ele se deseja após o impulso para a existência” (Sartre)..
Ä O sufixo ex da palavra existir significa “fora”. Ora só o ser humano existe porque, sendo consciente, é um “ser-para-si”, já que a consciência é auto-reflexiva, pensa sobre si mesma, é capaz de pôr-se “fora”de si.
Ä A consciência distingue o ser humano da coisas e dos animais, que são “em-si”, ou seja, não são capazes de se colocar “do lado de fora” para se auto-examinarem.
Ä “Se Deus não existe, então tudo é permitido” (Dostoiévski). Os valores não são dados nem por Deus nem pela tradição: só ao próprio indivíduo cabe inventá-los.
Ä A má-fé é a atitude característica de quem finge escolher, sem na verdade escolher. Imagina que o seu destino está traçado; aceira as verdades exteriores, “mente”para si mesmo e simula ser ele próprio o autor dos seus atos.
Ä A má-fé se caracteriza pelo fato de o indivíduo dissimular para si mesmo, com o objetivo de evitar fazer uma escolha pela qual possa se responsabilizar.
Ä Sartre chama de espírito de seriedade esse comportamento de recusa da liberdade para viver o conformismo da ordem estabelecida e da tradição.
Ä “quando dizemos que o homem é responsável por si próprio, não queremos dizer que o homem é responsável pela sua restrita individualidade, mas que é responsável por todos os homens” (Sartre).
Ä “Assim, a nossa responsabilidade é muito maior do que poderíamos supor, porque ela envolve toda a humanidade” (Sartre).